domingo, 24 de dezembro de 2017

Abre teus braços e alegra-te

Abre teus braços e alegra-te

Não importa quão pesado o teu fardo 
Abre teus braços e alegra-te

Não importa o tamanho da ferida
Quanto durou para sarar
sua dor e suas marcas
Abre teus braços e alegra-te

Não importa o que a vida tenha te levado
Pessoas, dores, amores
Abre teus braços e alegra-te

Não importa que tamanhos tu te sintas
diante do universo
Quão pequeno, quão não importante
Abre teus braços e alegra-te

Não importa quais feridas criaste 
em outros seres
Quão duras tu te foste
Abre teus braços e alegra-te

Não importa se derramaste lágrimas
e, até, se ainda derramas
Abre teus braços, alegra-te

Se caiu e tiveste que levantar
Se caiu e novamente levantou
Se precisou repetir isso todos os dias 
os dias todos da tua vida

Alegra-te na vida
Alegra-te em vida
Alegra-te pela vida
Alegra-te para a vida

Alegrar teu coração
não é recompensa
é fé, esperança e maestria

Para viver bem
é preciso alegrar
em todos os lírios e dragões
que em teu caminho cruzar

Não importa, nada importa

Abre teus braços e alegra-te, à vida

(via Lorena Abrahão)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A casca e o que é belo

Por Lorena Abrahão

O corpo é só o corpo

A casca, a matéria, o corpo.

O que te faz bonito?


Tuas curvas, teu tom, teu cheiro?

Não.

Mas é preciso dele, do equilíbrio

Dele, com o que é belo.


Onde está o belo?

Na essência de teu ser, de tua alma?

Na elasticidade do movimento entre

pancada, queda e reerguer?

No sorriso que tua alma carrega

e que transpassa pela tua casca?

Na leveza diante a dureza da vida?

No remover de cada pedra que

a tristeza tenta colocar no teu coração?


Quebra tuas conveniências

teus tabus

deixa o belo se sobressair do que te endurece

Deixa a vida

Deixa o amanhã cuidar de si mesmo

Tira o peso de teus ombros que te enfeiam



Deixa leve tua alma que é bela

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uma herança afetiva, cupuaçu da Linda-linda do Vovô

Dentre as coisas que sentiria falta após o desencarno do vô Babá, eram os cupuaçus que carinhosamente ele lembrava de separar para a sua Linda-linda, neste caso, eu que vos escrevo, por ser uma de minhas frutas preferidas.

É fácil escutar lá no coração a voz dele sorrindo ao dizer: esse aqui é pra minha Linda-linda. Se na entrega, ganhava também um cheirinho.

Alguns meses antes de nossa separação neste plano, vovô plantou no sítio do meu tio um “pé de cupuaçu”, neste ato mencionou meu apreço com o fruto que posteriormente, com muita alegria, recebi como parte da herança afetiva que só ele seria capaz de deixar.

Após dez dias em viagem, aonde pude pensar e repensar tantas coisas dessa vida; minha mãe me recepciona com: Lorena, tem creme de cupuaçu pra ti. Foi o primeiro que nasceu do pé que teu avô plantou, teu tio Raimundo mandou pra ti... Ali eu me contive pra não cair em choro, mas a emoção há dois dias ainda pulsa.

Estou saboreando de forma parcelada o creme, depois o suco e eternamente o sabor de ser mimada por ele mesmo depois de sua partida.

Como em outro momento escrevi, naquela mesa ele sempre estará presente através de todos que partilharam do seu convívio. Cada história, cada causo, cada gesto, cada costume virou um pedaço de nós.


Agradeço profundamente o tio Dinho por ter partilhado comigo, a Linda-linda do Vovô, o primeiro fruto de uma semente germinada com tanto amor!

Correr é uma inteira ligação com Deus e sem gratidão não há Deus

Foto: Foco Radical - Asics Golden Run Brasília - 21Km
No meu caso, correr é uma inteira ligação com Deus, com toda a minha história de vida.

Quando avisto a linha de chegada, faço o sinal da cruz (me benzo) em agradecimento por tudo. E essa corrida me exigiu muito esforço, muita superação.

Obrigada, meu Deus!

Registro que há 3 meses vivi o pânico de passar uns dias travada da coluna. Eu tive a opção de me entregar e esperar a recuperação, parar de treinar como o senso comum dizia.

Mas eu não nasci pra não lutar, fui atrás das melhores pessoas pra me ajudar na recuperação. E entreguei de forma muito espontânea a Deus e ao cosmo Espiritual, que fosse feita a vossa vontade. Que se preciso fosse eu parar, eu aceitaria, mas que eu queria continuar, e confiei.

E como sem gratidão não há Deus, não posso deixar de agradecer ao meu fisioterapeuta, ressalta-se maluco, Rodolfo da @caeexfisio .

Mesmo que muitos dias da semana eu o odeie, pois ele não tem pena de forçar meu corpo a ultrapassar os seus limites, mas trata-se de um profissional muito qualificado, estudioso e, principalmente, humano.

Cheguei chorando, sem conseguir me mover nem 50% que o normal (mesmo com a melhora sensível pelo uso de medicamentos fortes), com medo de nem voltar a andar. E ele disse "calma, o teu corpo nasceu pra se movimentar e é com os próprios movimentos que ele vai se recuperar." E, o melhor: "neste momento precisamos mais da endorfina do que do cortisol.". Ou seja, através da própria corrida eu iria também me curar.

Valeu, Rodolfo. 21km entregues, adeus estresse da coluna.

_____

À espiritualidade amiga, fica no intimismo minha imensurável gratidão.

Asics Golden Run Brasília - 29/10/2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Morada do coração


Por Lorena Abrahão ®


Morada do coração

Terão dias que
a vida vai te testar
E que você irá fraquejar
vai questionar e entristecer o coração
Se sentir pequeno e sozinho
Aí também a vida te sacode e te faz lembrar
que você é forte, muito forte
Que seu coração não é morada de mágoa e tristeza
Que nele cabe quem quiser ficar
e se entregar ao mais abrangente de todos os sentimentos

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Loucura

Podem dizer que é loucura.

Que fazer a bariátrica será só mais uma vez que você vai tentar emagrecer e não vai conseguir por muito tempo.

Você vai mudar seus hábitos através da fixação da disciplina.

Ainda assim, vão dizer que é loucura.

Você vai começar seu dia 3h30 da madruga. Vai sair pra correr pela cidade, trocar o ar do pulmão, trocar risadas com os amigos tão ou mais loucos que você, desejar bom dia pras pessoas que já vão para o trabalho ou retornam pra seus lares, até pra aqueles que não tem lares.

Ainda assim, vão dizer que és louco.

7h10 da manhã você já estará pronta com mala e marmita pro 3o. turno do dia que começará às 9h no trabalho após a sessão de fisioterapia.

Ainda assim vão dizer que és louco.

Pois vais fazer tudo isso de forma a sorrir e agradecer para si por não ser mais egoísta com você.


A loucura tem sido mesmo a arte que eu mais aprecio nos últimos 27 meses!

domingo, 27 de agosto de 2017

Registro de solidariedade entre atletas e soma de energias

Cada uma superando os limites que o dia colocou.

Voar vôo razo tem seu valor. 
Foi desafiador ter como objetivo correr 11km no meu maior tempo, 1h27. E se não fosse assim, provavelmente não concluiria a prova e adiaria a recuperação total do corpo.

Foi inteligente o compartilhar a energia de outra forma, especialmente, ajudando uma amiga a completar seus primeiros ininterruptos 11km.

Quando corremos, exercitamos extremamente a concentração, isso faz com quê nas provas você passe por pessoas sem olhar para elas, não consegue falar nada, concentra apenas na pisada e no movimento que te levará a mais uma linha de chegada.

Mas correr é também energia. E foi quando lesionada tive a chance de vivenciar este lado desse esporte que a cada dia salva a minha vida. Vento na cara. A sinfonia das pisadas de tênis sobre o asfalto. Diga-se de passagem que este é um dos sons que mais sacodem meu coração. Calma Keka, não acelera, curte a corrida. Uma corredora com tênis desamarrado, corre até ela, alerta que é melhor amarrar o cardaço. Um corredor sendo vencido pelo cansaço e você vai lá e pede pra ele ser um pouco mais forte e continuar correndo. Passa por um túnel de mangueiras (árvore regional), sente um ar mais puro. Sente dor nas costas, mas lembra que está alí testando o corpo, que não precisa ter medo de pisar. A amiga começa a cansar, você pede pra ela respirar e continuar, pois sabe o quão preparado está o corpo dela e que para a cabeça, ela não iria ser vencida. A outra amiga lembrava que era pra eu curtir a prova e segurar a prova e isso foi essencial.

Na parte mais difícil da prova, quilômetro 8, uma banda de marchinhas carnavalescas ecoava o alaláôôô e veio o incontrolável choro. Levantei as mãos aos céus e disse "eu te amo vô". Corredor de gente assistindo a corrida, gritando, incentivando os corredores do último batalhão. Eu recomendava que a amiga sentisse a energia das pessoas que aquilo iria dar as condições dela continuar a prova sem caminhar. No momento mais difícil dela, tentei colocar minha mão em seu braço pra transferir um pouco de energia. Assustada, pediu para não puxá-la. Pedi calma, que era só um pouco de energia daquelas pessoas que eu iria passar. Transcrevo a mensagem que recebi sobre esse fato: Verdade Ana!Hoje senti muito isso é impressionante e indescritível! Teve uma hora que  estava para desistir por puras questões psicológicas e as meninas me impulsionando, porém a Keka [eu]colocou a mão em mim para me passar sua energia e nesse momento realmente sentir um gás que não ERA meu .Só de lembrar estou toda arrepiada !pq contando é até difícil de acreditar mas vivi isso hoje!Muito lindo! Toda minha admiração e gratidão

Andreia e Patrícia (superação) compartilharam comigo uma das corridas que mais marcaram na minha vida. Onde se comprova que a soma das energias dos indivíduos são canalizadas na força que nós quisermos, neste caso, força de amor em forma de parceria e superação!

Pra mim, foi uma medalha de 11k, mas com gosto de 21k.







11km com pace alto para ajudar na recuperação da segurança sobre o corpo, após 20 dias de lesão na coluna.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Entrevista sobre Cirurgia Bariátrica e mudança no estilo de vida


Entrevista à TV Cultura
Data: 15/09/2017



A obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde como a maior epidemia do planeta. A má alimentação e a vida sedentária são alguns dos motivos para o aumento da doença. A cirurgia bariátrica é indicada em casos graves, mas pode ser evitada com uma vida saudável e com a prática de atividades físicas.

domingo, 13 de agosto de 2017

Obrigada por tudo, meu pai. Meu grande amor!

Hoje é "o meu criança". Teimoso, dramático e completamente dependente da minha presença.

Hoje é ele quem espera eu chegar do trabalho pra conversar mesmo que rápido, pra falar as novidades do Joãozinho ou, agora, as novidades da sala de hemodiálise - do atendimento, dos novos coleguinhas, do que sentiu.
Um dia desses cheguei tarde do trabalho, ele já estava recolhido no quarto, imaginei que dormindo. De tão cansada que estava, não fui olhar na janela como de costume (acho que ele sabe quando olho). Daí na manhã seguinte peguei uma bronca pesada de drama, que depois virou comédia no caminho do trabalho. Ele reclamou por eu não ter ido ver como estava, se tava bem, se não tinha passado mal e tals.

Ah Jhony, em muitos momentos é pesado estar no papel de tua "mãe", te dizer tudo o que tens que fazer, te dar broncas e mais broncas (algumas tu gostas, eu sei), te ensinar a como lhe dar com as coisas nessa fase da vida, às vezes te dar uma única opção e te fazer entender porquê tem que ser assim...mas isso me traz tanta felicidade também.

Parece a chance que a vida me deu de dizer muito obrigada por tudo o que fizeste por mim, por todo o amor que me ensinaste a ser, por ensinar a ser essa mulher forte e humana que sou. Por toda a presença que foste e és.

Sei que não poderei impedir tuas dores e essas complicações da saúde que, prazerosa e teimosamente, não te deixaste cuidar por muito tempo; mas no que depender de mim pra te dar o máximo de conforto nessa fase de nossas vidas, eu farei e continuarei tentando sempre ser melhor, mesmo que também errando muitas vezes.

Obrigada por tudo, meu pai.
Meu grande amor!

Foto: pós almoço de hoje, contando histórias e fazendo compressa de água quente na fístula. Tem que fazer todo dia, só faz quando eu lembro. (Rsrs)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Velho Babá, presente, presente, presente!

Hoje completa um mês que o vovô faleceu.


Aqui duas fotos clássicas!

Foto 1, várias traduções: tudo o que foram a vida inteira, parceiros!



Ela, a fortaleza que, mesmo cadeirante e cheia de dores, estava (e está) lá, não se entregando, organizando a sua casa e fazendo o que conseguia fazer com as liberdades que suas limitações físicas permitem.


Ele, já entregue ao peso da idade e dos adoecimentos, mas sempre ao lado dela. Provavelmente a fazer alguma piada, contanto um causo ou indo buscar água ou a batida de frutas pra ela, sua velha.


Ele e Ela, a mais bonita expressão de amor a dois que eu e todos que conviveram com esses dois, já testemunhamos. E que me orgulho em dizer que sou fruto.

Foto 2: meu colo preferido, era tomar café na casa deles no final da tarde. Inúmeras vezes fiz isso, em todas saí com a melhor sensação de acolhimento. Vez ou outra passava antes na padaria pra levar doces e salgados que eles gostavam. 



- Uhhh, cheguei vôzinho, trouxe umas besteiras pra gente beliscar. Olhe, tem canudinho de camarão.
- Não precisava, minha filha, mas vou comer só um, pode fazer mal.
Passavam-se uns minutos. Pratinho vazio. Em meio a uma hipertensa regrada e três alérgicas ao camarão.
- Ué vô, quem comeu os canudinhos?!
- Olhávamos uns pra cara dos outros e ríamos deliciosamente.


Hoje: particularmente em um dia de filha muito difícil. Não direi como, mas foi ele quem cuidou de mim.


Publicamente agradeço a Deus, à vida, ao cosmo, ao "sim" da minha vózinha, a tudo que conspirou para que eu pudesse ser neta, a neta Linda-linda, desse senhor, desse casal.


Velho Babá, presente, presente, presente!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Naquela (aquela) mesa, ele estará presente



Ontem, na missa de 7° Dia da partida do meu avô, Sebastião Vogado, o Padre Sílvio, um anjo em nossas vidas neste momento delicado, nos levou grande acalanto. Tenho certeza que suas palavras emocionadas por perceber o que foi o vô Babá naquelas vidas, ajudaram a diminuir muitas dores.

Nos primeiros dias, acreditei que naquela mesa que ele contava histórias que eu guardo na memória e que já sei de cor, ele estaria ausente para sempre. Cada dia que passa entendo ainda mais a importância do vô na formação de cada Vogado & Agregado, mas também agora entendo que naquela mesa ele sempre estará presente, ou melhor, ele, naquela mesa, estará presente em todos os nossos passos.

Pois, o que fica de quem parte, não são lacunas, mas os ensinamentos em forma de histórias e exemplos práticos, fica o exemplo de pessoa que foi, fica todos os brindes que fizemos, fica o cupuaçu, cacau e ingá como minhas frutas preferidas, fica o misto-quente com sorvete de morango, fica a dose de amor nas porções de café puro com pupunha (naquela mesa), fica a Linda-linda do vovô, fica todo o amor que ele sem economia nos deu.

Claro, a saudade ainda vai doer em muitos de nós, mas seguiremos no desafio de deixar o dia após dias transformá-la em nossos corações em gratidão e em continuidade da família que ele, e a vó Raimunda sempre cultivaram.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Salmo |Maria Betânia|

Vida
Oh bela, oh terna, oh santa
Vida
É breve, é grande, é tanta
Vida
Ai, de quem não te canta
Oh vida


Diante da vida delirante
Ai, de quem, vacilante
Repousa e não ousa viver
Deve passar toda existência
Entre o medo e a ansiedade
Não quero ter calmaria
Eu quero ser tempestade
Eu quero ser ventania
Eu quero andar pela cidade
Me embriagando de poesia
Bebendo a claridade
Da luz do dia


Diante da vida comovente
Ai de quem, tão somente
Reclama e não ama viver
Deve ter feito dentro d’alma
Um vasto mar de amargura
Não quero ter agonia
Eu quero sim, a locura
O fogo da fantasia
Um precipício de aventura
A vida vindo como orgia
No ofício da procura
De todo dia


Diante do espelho dos seus olhos
Ai, de quem não se vê
Não vê seu destino
Eu quero ver meu desatino
Frente a frente e poder dizer:
"Você é quem sempre me dá prazer
Entre você e a calma eu quero ser você, ai"


Diante do abismo do mistério
Ai, de quem se esconder
Não vai saber
Eu quero o salto pra vertigem
De mim mesmo e poder dizer:
"Eu era o caos e o caos eu quero
Eu quero o nada, o germe, eu quero a origem de tanto querer, ai"


Diante da vida que é sublime
Ai, de quem se reprime
Se ausenta e nem tenta viver
Deve ficar olhando o mundo
E lamentando sozinho
Não quero ter letargia
Eu quero ser rodamoinho
Eu quero ser travessia
Eu quero abrir o meu caminho
Ser minha própria estrela-guia
Virar um passarinho
Cantando a vida assim
Cantando além de mim
E além de além do fim




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Last Nite e os sinais de que o universo conspira

Sabe que cara é essa?

A cara do quilômetro final, consesuado como o mais difícil.

Quando o universo te levou à conclusão de que tudo pode até ter conspirado pra dar errado nos meses que antecederam a prova que marcaria a tua vida, mas na hora certa tu serias extremamente recompensada por ter tornado todas as dificuldades em motivos.

Na caixa de som da organização da Maratona, tocou "Last Nite" do The Strokes. Rock que, quando eu corria com fone de ouvido (depois que passei a ser treinada pelo Manoel isso mudou), sempre me impulsionava, ajudava a levar, a organizar os pensamentos quando desorganizados. Uma das mais queridas da play list de corrida.

Pensem numa euforia que senti quando olhei a linha de chegada e essa música começou a tocar.

Abaixei o rosto, me benzi. Ajeitei meu cabelo e o cinto de suporte. Agradeci a natureza por responder sempre com sinais sempre que preciso de um norte. Chorei e fui na melhor mistura de sentimentos possíveis.

Last Nite já tinha vários significados pra mim, não tinha momento melhor na vida e na corrida pra ela tocar.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Dos 120kg aos 21km, rumo aos 42km

Dia 28/05/2016 efetivei minha inscrição na Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro.

Decisão que dava norte ao meu plano de reeducação física e alimentar após quase 1 ano de cirurgia bariátrica.

Hoje entendo que muito mais que isso, reeducação de vida, pois é isso que a corrida faz. Muda teu jeito de ser, de pensar, de agir. Te torna mais forte e mais humano. Te educa a ser solidário em prática, a ser grato a qualquer sinal de natureza, de vida.

Quando a cirurgia bariátrica passa a ser a sua última chance de resgatar sua vida, a maioria das pessoas são descrentes e te ajudam a adoecer um pouco mais, falando todas as ignorâncias pelo senso comum de descrédito da bariátrica.

Aos 23 anos tinha tido câncer na tireóide. Aos 28 anos comecei a ser ameaçada com sinais de um novo câncer, que precisava ser cessado principalmente com o emagrecimento. Diabetes abrindo a porta e querendo deixar sua mala. É uma série de sinais da síndrome metabólica decorrente da obesidade mórbida.

A cirurgia bariátrica salvou a minha vida. E a corrida me dá a chance de sentir e ressignificar o que é vida. Só quem corre conseguirá entender a intensidade dessa última frase.

Trilhar as condições necessárias pra correr a Meia Maratona requereu muito esforço, sacrifícios e disciplina, e tirando os treinos Gladiadores do meu treinador, digo que não foi um processo dolorido. Pelo contrário, foi prazeroso. Talvez especialmente pela trajetória de luta contra a obesidade desde meus 11 anos.

E se tem uma coisa que a vida me ensinou é que ela é mesmo uma sequência de escolhas, e que cada uma delas terá sua consequência. O resultado de hoje, é fruto de escolhas passadas. Muito do que viverei daqui a um ano, será consequência do que faço hoje.

A cada meta atingida na corrida, mais eu fixo à obesidade que tenho domínio sobre ela, não mais o contrário. Pra quem não sabe, mesmo pesando 65kg, ainda sou obesa, a diferença é que agora ela está controlada.

Muita gente me pergunta tanto sobre a bariátrica, quanto pela corrida enquanto estilo de vida. 

Do fundo do coração, se quiseres iniciar um desses projetos, resumo com o conselho de não teres medo. E, como dizem por aí, se tiver medo, vai com medo mesmo. 

É preciso ficar atento aos sinais que a vida dá. Podemos renascer na própria vida quantas vezes quisermos. 

Tem uma frase consensual entre os corredores que diz "se estiveres desacreditado da humanidade, assista a uma Maratona". Então se correr não for sua meta, recomendo o assistir uma Maratona como remédio pra curar até as feridas da vida, da alma.


Atualização de meta: correr uma Maratona em 2018.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Meu choro na largada, dia favorável à minha loucura


Mistura de alegria por ter chegado o grande dia, e segurança por ter feito tudo o que eu podia fazer no preparo, me sentia pronta pra começar e ansiosa pelas variações que toda prova pode trazer.

O dia estava favorável à minha loucura. Cada dia é um dia, cada prova é uma prova. E corrida é estratégia pura. Depois do 5km fiz meu balanço e vi que podia diminuir a meta pessoal (secreta) de 2h30, que pra 1a Meia já era um tempo ousada e boa.

Quando olhei a subida de quase 2km na av Niemeyer, só pensava "eu treinei pra isso, o treino do Manoel era muito pior, não esquece Lorena, tu tá pronta". Era uma dívida comigo. Pra chegar aqui precisei abdicar de muita coisa, resistir a não compreensão de muita gente. Assim como ganhei uma família linda na corrida, gente que a cada dia me tornam uma pessoa melhor e um pouco mais atleta.

Não caminhei em nenhuma parte, fui no meu ritmo, construindo minha corrida. Vivendo meu sonho em meio a centenas de cenas emocionantes ao redor. Estava numa bolha de energia de pessoas e de natureza.

Pace médio de 6'49", tempo líquido de 2h23. Meu coração explodiu de alegria, pois ali a corrida mais uma vez me mostrava que eu posso muito mais do que imagino poder. Passei dos limites que imaginava ter!

Ontem cumpri uma meta pessoal. Reaprendi muita coisa. Eliminei sentimentos ruins. Vi que minha superação é pequenina se comparada a tantas outras.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Tá tendo nervosismo pré Meia Maratona do Rio!


Faltam 10 dias. Era pra eu tá calma, relaxada, segura...foi um ano de dedicação, sem interrupções até a chegada de maio.

Como tô?

Nervosa, cansada, esgotada mentalmente. Maio foi um mês atípico, com uma jornada de trabalho exaustiva e um monte de problemas familiares e pessoais. 3 semanas sem treino de reforço muscular, consequência: joelho bichado. 
Pé, unhas, cabelo? Padrão de atleta. 
Nos meus planos era pra eu tá só pensando na mala e fechando o resto do roteiro das minhas tão esperadas mini-férias. Tá tudo corrido e atropelado, focando o máximo que posso no corpo e equilíbrio dele com a cabeça... o que salva é a segurança da certeza que vou realizar esse sonho e cumprir a meta final da planilha!!! Quando o corpo cansar, a mente vai levar; quando a mente cansar, o coração vai resgatar!

E os anjos vão me conduzir!!!




domingo, 4 de junho de 2017

Da Linda-linda do vovô, gratidão.

Que direito eu tenho de brigar com Deus ou com o universo pelas coisas que acontecem sem ser da maneira que quero, ou mais fácil, ou mais confortável?!

Nenhum direito.

Hoje, 89 anos do seu Babá, meu querido vozinho. Em seu 11o. dia no CTI com cedativos, respiração mecânica e outras coisitas mais.

Eu poderia chorar um choro triste por não enxergar o reestabelecimento da saúde dele da forma mais confortável pra nós, familiares. Desculpa falar assim família, vocês sabem que tô bem longe de ser uma pessoa de pouca fé; mas falo que hoje a única coisa que meu coração permite é agradecer ao Papai e Mamãe do Céu por terem me permitido ser neta dessa homem incrível, o qual tanto me ensinou.

Que belos 89 anos de ensinamentos ele, independente de qualquer coisa, já deixou pra nós! Quanto amor eu recebi desse homem. E nunca deixará de reverberar em minha vida!

Obrigada, vozinho. Torço pra que a felicidade volte a pulsar em seu corpo e alma. Vê-lo da maneira que está parte meu coração, mas entendo que é necessário o senhor, e nós, passarmos por isso. O senhor está bem protegido, tenho certeza!

Mas não deixo a tristeza abater, daqui lhe envio luz, amor e bençãos!

A medalha de hoje é sua, que sempre acreditou em mim!

Gratidão ❤.

Ass.: Linda-linda do vovô.

_____

Segue a vida da maneira que ela quer.
Que doa o que tiver que doer, mas que não se cesse a chama de acreditar que dias melhores sempre virão.

Só rogo por serenidade pra passear pelos períodos turbulentos. Que nunca me faltem as pernas e coragem pra encarar o asfalto e vento na cara, melhor terapia não há!

terça-feira, 25 de abril de 2017

DÉCADA IV/ANO I – GRATIDÃO PELA VIDA

Simbolicamente hoje inicia um novo ciclo, mas não é dele que quero falar. Pois, em nenhum dos outros aniversários senti tão fortemente o fechar de um ciclo, e não digo apenas dos últimos 365 dias. Falo da sequência das 3 décadas existenciais e o que carinhosamente chamei de Ano I, da Década IV de vida terrena. A ele, nossa gratidão. 



Não diferente da maioria das pessoas, vivi minha crise dos 30 anos – pesada pelo medo de ter minha liberdade limitada por problemas de saúde. No ano de véspera decidi por mudanças interiores extremamente radicais, lógico que, consequentemente, levaram-me a mudanças exteriores também radicais. Essas, todos, a olho nu podem ver. Porém, há realmente coisas que só conseguimos ver, caso nos permitamos enxergar além dos olhos. E essa é uma característica da minha persona que gosto de cultivar.

Passado o ano de decisão e início das mudanças com toda a metódica disciplina que muitos de vocês, leitores amigos, são testemunhas que cumpri, e muitos de vocês foram peças essenciais para isso; veio o Ano I, o início da quarta década de vida. Chorar por menos um ano de vida como diria meu amado Suassuna, comemorar como culturalmente aprendemos, e é ótimo, ou simplesmente agradecer como a alma vem pedindo?

Literalmente fechei os olhos para poder enxergar o que eles não podem ver. Senti todo o amor que baila ao meu redor. Agradeci por cada pessoa importante tanto que passou pelo meu caminho, como àquelas que vêm ao meu lado segurando a minha mão há muito ou pouco tempo. Sou uma pequena de muitas bênçãos recebidas, de muitas e muitas vivências de fé. De alguns momentos de superação. De muitos outros de medo e desesperança, mas em todos eles Deus ou o cosmo mostraram que, mesmo não sendo fácil, eu tinha forças para seguir – e se não a tivesse, de alguma forma a encontraria. Um ciclo energético positivo, a gente se descobre presente quando, em maioria, exerce práticas e pensamentos positivos.

Poderia ainda falar de algumas dores na vida, mas pra quê?! Não há razão. Ontem foi dia de jogar fora a caixinha de coisas que não me servem mais, mesmo que teimosamente ainda considere a serventia de algumas, é hora de deixar o ciclo se encerrar. Deixar a alma quieta e no caminho da plenitude (que não precisa ser utópica).

Aqui repito meu Amém, Namastê e Obrigada pelos 31 anos de vida.

Sigamos na abertura do Ano II – Década IV. Que não nos falte o amor, a serenidade, a resiliente perseverança e tênis nos pés e vento na cara!




sábado, 15 de abril de 2017

Reverência ao destino

Por Carlos Drummond de Andrade


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Flores na vida

Ontem, no pátio cheio de plantas aqui em casa, um botão fechadinho chamou minha atenção.


Cor forte em pétalas sedosas. Toquei nele, sem nenhuma força física significante, e ele caiu na minha mão.



Sorri e senti que "alguém" queria que aquela flor ficasse comigo. Talvez em agradecimento. Pois bem, trouxe ao meu quarto, não coloquei nem em água...Deixei-a decorando a mesinha do café.



Daí, hoje, acordo com ela assim, exuberante, aberta, cheia de vida, força e beleza.


Flores na vida acontecem sempre. Percebe-las em nosso caminho, exige sabedoria fluída. Mas há àqueles (àquelas, neste caso) que já aprenderam a senti-las em todos os sinais que vida e cosmo dão. 

Comigo, nada tão explícito como esta flor. Na véspera de um dia marco de renascer na vida. No período em que, a vida, mostra o dever de me remontar mais uma vez.

Se vai ser fácil ou difícil, não importa, terei sempre flores brotando em meio às pedras de meu caminho.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mais amor, mais afeto

Sororidade também é: 

acolher, mesmo que minimamente, às 5h30 da matina uma mulher com supercílio aberto jorrando sangue, agredida por um homi. Sem julgá-la, nem condená-la por envolvimento com drogas e prostituição, apenas por ser uma humana com necessidade de cuidados emergenciais.

Não sei seu nome, mas sei que eu e duas amigas demos um pouco de colo e afeto, retribuídas com agradecimento, admiração e com traços de esperança.




Nem eu, nem minhas amigas somos melhores do que àquela mulher que vive no limite de tristeza e exploração; apenas vivemos em condições socialmente diferentes. 


Mais amor, mais afeto, menos naturalização das violências, pode sim ser o caminho.



sexta-feira, 31 de março de 2017

Treino é treino

Treinar em todas as variações de nosso corpo demonstra compreender o real sentido da palavra 'treinar'.

Hoje a cabeça estava muito cansada, exausta. Ao ponto de, ontem a noite, eu ter até tomado analgésico (o que faço com raridade devido à alergia e concepção em relação à medicalização). Não treinar pra descansar mais um pouco foi o que cheguei a pensar ontem a noite. Cheguei a mandar mensagem para o treinador com aviso da possível falta, em silêncio ele ficou. 

A consciência sabia que aquele pensamento era desculpa. E atualmente se tem uma palavra que pouco ou quase nada se encaixa na minha vida, é a desculpa. Às 3h57 o corpo, condicionado pela disciplina, mesmo que pesado de cansaço, despertou antes do despertador tocar. Pediu o tênis e sua dose regular de endorfina, logo saiu para correr.

Na chegada no ponto de encontro, olho para o treinador e ele já me olhava com aquele olhar forte de "é esse o caminho, você entendeu". Eu respondi com meu olhar e a frase: - não importa o cansaço, tô aqui. Balançamos a cabeça em um gesto de "sim" e seguimos o treino. 

Em ritmo mais lento que o habitual, mas com consistência, sem caminhada, concluiu 6k5m em 40'. Treinar quando cansada é treinar muito mais que o corpo, mas a concentração, a disciplina e a superação.

Ter um treinador como o Manoel tem feito toda a diferença no meu rendimento e entendimento do espírito da corrida. 

Segue o fluxo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

ERÓTICA É A ALMA

Por Fabíola Simões

Todos vamos envelhecer...

Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.

O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.

Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.

Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.

Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.

Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma neglicenciada anos a fio.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CIRURGIA BARIÁTRICA – 3 CONSELHOS-CHAVE

Foi na consulta de retorno com exames e laudos pré-cirúrgicos que escutei do Dr. Acácio Centeno, meu gastro cirurgião, os 3 conselhos que adotei para seguir fielmente após a Bypass.

Recomendou que, se eu os adotasse por um ano, poderíamos ao final deste período ter a segurança de não ter reganho de peso – realidade para grande percentual de operados. Pois, da parte dele e de sua equipe, estariam fazendo o melhor; mas a maior parte do que tinham a fazer, seria até alguns dias depois da cirurgia, depois estariam acompanhando, mas ‘a chave do sucesso’ estaria em minhas mãos. 

Basicamente seria:

1. Comer rigorosamente a cada 3 horas;

2. Praticar atividade física 5 vezes por semana, e;

3. Tratar as exceções sempre como exceções, pois se não a tratamos assim, elas viram regras.

Eu disse: sim, farei a minha parte, irei cumpri-las por um ano.

Hoje, após 19 meses e 11 dias, pra ser bem precisa, afirmo que foram os conselhos-chave para o resultado que conquistei. Não-é-fácil, não, não é. Digo que os três primeiros meses, são de total disciplina, depois vai se aproximando do automático. Mas sabem de uma coisa? Foi bem menos difícil do que imaginei.

Em quase todas as vezes que estou correndo, vem aquele pensamento eu sou aquela que ficava fadigada ao subir dois vãos de escada após o almoço. Tudo valeu à pena. E poucas são as vezes que não cumpro o tempo de alimentar-me a cada 3 horas; pratico atividade física 6x/semana, faço isso com grande prazer; e acho que adotei para a vida inteira a compreensão de que se a exceção deixa de ser tratada como exceção, ela vira regra. 
Corrida de Belém - 29/01/2017 - 10km


Então, se você pretende fazer a cirurgia ou foi operado recentemente, mentalize quais os seus sonhos/objetivos e adote para si estes 3 conselhos, não tenha dúvida, o resultado virá!


P.s.: a minha rotina de vida saudável era apenas um sonho distante.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Agiganta-se

Pequeno de quem se acovarda
Na sombra do que é fácil
Do que não é nó, e é confortável
Mas não explode entusiasmo

Gigante de quem ousa
Arriscar-se na saída de uma zona
Peculiar
Da zona confortável do conforto

Agiganta-se porque,
Com ou sem, coragem
Atira-se a arriscar-se

E o que é que dá a sensação de vida
O pulsar do sangue pelo corpo
Ou o pulsar da vida pelo sangue


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PROBLEMA REVERSO, O BAIXO CONSUMO CALÓRICO

E quem diria um dia entrar no consultório da nutricionista e escutar que tenho que comer mais. É mesmo verdade, o impossível pode acontecer!

Na prazerosa consulta, lembramos que minha luta contra o peso vem desde os 11 anos. E hoje, ao voltar da academia antes das 7h da manhã, pensei ser esta a fase que me sinto mais segura em relação ao controle do meu peso. Já que, minha obesidade é crônica e monitorá-la é uma tarefa para a vida inteira.

A bioimpedância realizada neste mês, acusa um gasto energético diário em torno de 1.400kcal. Considerando a minha  intensa prática de atividade física, este gasto deveria ser mais elevado, porém, além do meu metabolismo ser lento por natureza, aliado à reposição diária de hormônio em decorrência da tireoidectomia total (2009), estou ingerindo menos que 1.200kcal/dia. Significa que o valor calórico que meu corpo ingere, está muito próximo ao gasto. Quando por muito tempo assim, por defesa do organismo, entende-se que o estoque energético está ameaçado, então é melhor armazenar energia, ainda mais com essa louca correndo uns 30km/semana. Assim pensa o corpo. Fenômeno cientificamente chamado de Efeito Platô. Daí passaremos para a antes inimaginável fase de aumento de calorias na dieta. E não estou falando de pouco, são mais 1.000kcal praticamente. Ao ler esta parte, peço que deem junto comigo uma gostosa risada pra vida.

Notem a importância da manutenção do acompanhamento multiprofissional posteriormente à bariátrica. Agora focaremos em uma dieta para ganho de massa muscular. Sendo assim, a nutricionista montará um quadro de alimentação paleolítica, ou seja, baseado no alto consumo de proteínas e carboidratos naturais, conciliado à suplementação e à vasta lista de restrição devido às alergias. Isso porque este é o tipo de alimentação que me habituei, tanto pela melhor digestão, quanto pelos benefícios dos alimentos funcionais. Tanto que, mesmo comendo "pouco", estou com as taxas sanguíneas dentro do normal, sem carência, nem excesso de nutrientes.

Não será simples adaptar-me a comer mais, o estômaguinho, forma carinhosa que chamo o neo-estômago de aproximadamente 5cm/150ml, está em sintonia bem afinada com a cabeça; digo com a consciência que o reganho de peso é uma dura realidade em um percentual bastante elevado de operados. Mas, se é recomendação da nutri, seguirei com afinco.

A foto mostra a tentativa de um lanche mais calórico: massa Rap10 Fit, com ricota e creme de milho e frango. Acompanhada de deliciosos goles do meu habitual café sem adição de açúcar ou adoçante, mas isso não é neura, é puro prazer em tomar café mesmo, noutro momento falo sobre isso.


sábado, 21 de janeiro de 2017

MELHOR QUE COMER É VIVER

É culturalmente consensual ter no ato de comer um dos prazeres mais intensos.

Vale refletir também o caráter de socialização comportado neste ato. Basta lembrar em torno do que está as festas de comemorações, os encontros entre amigos, os primeiros encontros dos casais, a válvula de escape do estresse... Corrijam-me se estiver errada, mas tudo, em torno do comer.

Por ser culturalmente consensuado, aliado a constante correria multitarefária do dia-a-dia, pouco se reflete sobre o que, porquê, como, quando e quanto nós comemos. Não, isso não interessa, isso é chato. Encerra-se o assunto logo que vem em mente, mas acredito que todos, em algum momento, são assombrados com esses questionamentos.

Daria pra escrever muito mais sobre os padrões e comportamentos alimentares, acho que vale posteriormente fazer um texto alinhando-o com a lógica do capitalismo. Mas a intenção neste momento é a de compartilhar os benefícios que o processo de reeducação alimentar proporcionou em minha vida.

Após um ano e meio de hábitos novos, digo que melhor que comer, é mesmo viver!
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Antes da cirurgia bariátrica (Bypass), a síndrome metabólica gerada pelo quadro de obesidade mórbida e crônica, deixou praticamente todos os meus índices alarmantes. Hoje tenho plena consciência do quanto eles prejudicavam a minha qualidade de vida e já limitavam meu dia-a-dia, na época enganava-me acreditando que o importante era estar viva e feliz.

Na tabela abaixo, o quadro comparativo com alguns índices. 




Junho 2015
Janeiro 2017
Peso total
120kg
66kg
Peso em massa magra
53%
72%
Peso em gordura corporal
47%
28%
IMC
43,5 kg/m²
24 kg/m²
Glicose
91 mg/dL
79 mg/dL
Teste de Tolerância à Glicose – 3ª análise 120’
214 mg/dL
Fora de risco/ Não necessária a dosagem
Insulina
37,74 mIU/mL
2,7 mIU/mL
Colesterol Total
155 mg/dL
129 mg/dL
Triglicerídeos
100 mg/dL
70 mg/dL

Em primeira análise, as taxas sanguíneas não estavam tão alarmantes, mas e se eu continuasse com o mesmo estilo de vida, qual seria o teor do texto que estaria escrevendo agora? Provavelmente, sobre dicas de como viver com a diabetes. Ta aí, foi esse o meu terror, o diagnóstico inicial dessa doença que vitimiza minha família, portanto conheço a dor do seu começo, meio e fim quando não tratada como deve ser. Diga-se de passagem, tarefa muito difícil.

Não é novidade que todos morreremos um dia, mas ter consciência que seus hábitos estão a facilitar que este dia chegue, seria o quê senão um suicídio a médio e longo prazo?! Compreendi ser a hora de fazer uma curva radical na vida. E fiz da cirurgia bariátrica o freio necessário para não continuar na linha reta que seguia (ou me arrastava). Bombardeio de informações. Vontade, muita vontade de iniciar o processo de envelhecimento de forma saudável. Ter uma vida saudável, que alinhava uma boa alimentação, prática regular de atividade física e até mesmo sair pra dar uma corridinha no domingo de manhã, fazia parte de um tímido e forte sonho ou exemplo de vida a seguir.


Os seis primeiros meses foram de total disciplina, não fáceis, mas também menos difíceis que imaginava. Depois vieram os hábitos, aquilo que já fazemos no automático, tipo preparar sua bolsa térmica diariamente com pelo menos três das suas seis ou sete refeições do dia; comer seu lanche em meio a qualquer reunião; acordar cinco horas da manhã todos os dias pra malhar; dizer não para a maioria dos convites para sair no sábado a noite porque domingo de manhã é dia de treino de rua e seu corpo sente uma tremenda falta se não for; e muitas outras coisas que não garantem uma vida eterna (claro que não é essa a pretensão), mas que garantem maior autoconhecimento e um melhor sentido no que é estar viva e com muita disposição para viver. Com cuidado pleno sobre meu corpo, minha alma e meu equilíbrio! 


Comer as comidas de fácil acesso, aquelas geralmente mais prejudiciais, é gostoso e tesudo; mas não precisamos ter a cada refeição um orgasmo. E mais, dá pra descobrir também ser tesudo, comer algo funcional, aquela comida que não entra no seu organismo só para saciar seu prazer, mas para dar funcionalidade às partes de seu organismo.