sábado, 21 de janeiro de 2017

MELHOR QUE COMER É VIVER

É culturalmente consensual ter no ato de comer um dos prazeres mais intensos.

Vale refletir também o caráter de socialização comportado neste ato. Basta lembrar em torno do que está as festas de comemorações, os encontros entre amigos, os primeiros encontros dos casais, a válvula de escape do estresse... Corrijam-me se estiver errada, mas tudo, em torno do comer.

Por ser culturalmente consensuado, aliado a constante correria multitarefária do dia-a-dia, pouco se reflete sobre o que, porquê, como, quando e quanto nós comemos. Não, isso não interessa, isso é chato. Encerra-se o assunto logo que vem em mente, mas acredito que todos, em algum momento, são assombrados com esses questionamentos.

Daria pra escrever muito mais sobre os padrões e comportamentos alimentares, acho que vale posteriormente fazer um texto alinhando-o com a lógica do capitalismo. Mas a intenção neste momento é a de compartilhar os benefícios que o processo de reeducação alimentar proporcionou em minha vida.

Após um ano e meio de hábitos novos, digo que melhor que comer, é mesmo viver!
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Antes da cirurgia bariátrica (Bypass), a síndrome metabólica gerada pelo quadro de obesidade mórbida e crônica, deixou praticamente todos os meus índices alarmantes. Hoje tenho plena consciência do quanto eles prejudicavam a minha qualidade de vida e já limitavam meu dia-a-dia, na época enganava-me acreditando que o importante era estar viva e feliz.

Na tabela abaixo, o quadro comparativo com alguns índices. 




Junho 2015
Janeiro 2017
Peso total
120kg
66kg
Peso em massa magra
53%
72%
Peso em gordura corporal
47%
28%
IMC
43,5 kg/m²
24 kg/m²
Glicose
91 mg/dL
79 mg/dL
Teste de Tolerância à Glicose – 3ª análise 120’
214 mg/dL
Fora de risco/ Não necessária a dosagem
Insulina
37,74 mIU/mL
2,7 mIU/mL
Colesterol Total
155 mg/dL
129 mg/dL
Triglicerídeos
100 mg/dL
70 mg/dL

Em primeira análise, as taxas sanguíneas não estavam tão alarmantes, mas e se eu continuasse com o mesmo estilo de vida, qual seria o teor do texto que estaria escrevendo agora? Provavelmente, sobre dicas de como viver com a diabetes. Ta aí, foi esse o meu terror, o diagnóstico inicial dessa doença que vitimiza minha família, portanto conheço a dor do seu começo, meio e fim quando não tratada como deve ser. Diga-se de passagem, tarefa muito difícil.

Não é novidade que todos morreremos um dia, mas ter consciência que seus hábitos estão a facilitar que este dia chegue, seria o quê senão um suicídio a médio e longo prazo?! Compreendi ser a hora de fazer uma curva radical na vida. E fiz da cirurgia bariátrica o freio necessário para não continuar na linha reta que seguia (ou me arrastava). Bombardeio de informações. Vontade, muita vontade de iniciar o processo de envelhecimento de forma saudável. Ter uma vida saudável, que alinhava uma boa alimentação, prática regular de atividade física e até mesmo sair pra dar uma corridinha no domingo de manhã, fazia parte de um tímido e forte sonho ou exemplo de vida a seguir.


Os seis primeiros meses foram de total disciplina, não fáceis, mas também menos difíceis que imaginava. Depois vieram os hábitos, aquilo que já fazemos no automático, tipo preparar sua bolsa térmica diariamente com pelo menos três das suas seis ou sete refeições do dia; comer seu lanche em meio a qualquer reunião; acordar cinco horas da manhã todos os dias pra malhar; dizer não para a maioria dos convites para sair no sábado a noite porque domingo de manhã é dia de treino de rua e seu corpo sente uma tremenda falta se não for; e muitas outras coisas que não garantem uma vida eterna (claro que não é essa a pretensão), mas que garantem maior autoconhecimento e um melhor sentido no que é estar viva e com muita disposição para viver. Com cuidado pleno sobre meu corpo, minha alma e meu equilíbrio! 


Comer as comidas de fácil acesso, aquelas geralmente mais prejudiciais, é gostoso e tesudo; mas não precisamos ter a cada refeição um orgasmo. E mais, dá pra descobrir também ser tesudo, comer algo funcional, aquela comida que não entra no seu organismo só para saciar seu prazer, mas para dar funcionalidade às partes de seu organismo. 

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