Dentre as coisas que sentiria
falta após o desencarno do vô Babá, eram os cupuaçus que carinhosamente ele
lembrava de separar para a sua Linda-linda, neste caso, eu que vos escrevo, por
ser uma de minhas frutas preferidas.
É fácil escutar lá no coração a
voz dele sorrindo ao dizer: esse aqui é pra minha Linda-linda. Se na entrega,
ganhava também um cheirinho.
Alguns meses antes de nossa
separação neste plano, vovô plantou no sítio do meu tio um “pé de cupuaçu”,
neste ato mencionou meu apreço com o fruto que posteriormente, com muita
alegria, recebi como parte da herança afetiva que só ele seria capaz de deixar.
Após dez dias em viagem, aonde
pude pensar e repensar tantas coisas dessa vida; minha mãe me recepciona com: Lorena, tem creme de cupuaçu pra ti. Foi o
primeiro que nasceu do pé que teu avô plantou, teu tio Raimundo mandou pra ti...
Ali eu me contive pra não cair em choro, mas a emoção há dois dias ainda
pulsa.
Estou saboreando de forma
parcelada o creme, depois o suco e eternamente o sabor de ser mimada por ele
mesmo depois de sua partida.
Como em outro momento escrevi,
naquela mesa ele sempre estará presente através de todos que partilharam do seu
convívio. Cada história, cada causo, cada gesto, cada costume virou um pedaço
de nós.
Agradeço profundamente o tio
Dinho por ter partilhado comigo, a Linda-linda do Vovô, o primeiro fruto de uma
semente germinada com tanto amor!

Nenhum comentário:
Postar um comentário