segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uma herança afetiva, cupuaçu da Linda-linda do Vovô

Dentre as coisas que sentiria falta após o desencarno do vô Babá, eram os cupuaçus que carinhosamente ele lembrava de separar para a sua Linda-linda, neste caso, eu que vos escrevo, por ser uma de minhas frutas preferidas.

É fácil escutar lá no coração a voz dele sorrindo ao dizer: esse aqui é pra minha Linda-linda. Se na entrega, ganhava também um cheirinho.

Alguns meses antes de nossa separação neste plano, vovô plantou no sítio do meu tio um “pé de cupuaçu”, neste ato mencionou meu apreço com o fruto que posteriormente, com muita alegria, recebi como parte da herança afetiva que só ele seria capaz de deixar.

Após dez dias em viagem, aonde pude pensar e repensar tantas coisas dessa vida; minha mãe me recepciona com: Lorena, tem creme de cupuaçu pra ti. Foi o primeiro que nasceu do pé que teu avô plantou, teu tio Raimundo mandou pra ti... Ali eu me contive pra não cair em choro, mas a emoção há dois dias ainda pulsa.

Estou saboreando de forma parcelada o creme, depois o suco e eternamente o sabor de ser mimada por ele mesmo depois de sua partida.

Como em outro momento escrevi, naquela mesa ele sempre estará presente através de todos que partilharam do seu convívio. Cada história, cada causo, cada gesto, cada costume virou um pedaço de nós.


Agradeço profundamente o tio Dinho por ter partilhado comigo, a Linda-linda do Vovô, o primeiro fruto de uma semente germinada com tanto amor!

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