quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Nosso soneto

Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
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2007 - foto preferida
Ainda muito jovem dediquei, em uma espontânea jura de amor, este soneto do Vinicius ao meu pai. Versos que resumem nosso amor, e hoje, mais do que nunca, no auge da fragilização de sua vida, o releio e emociono-me por perceber quão intenso vivemos estes versos até aqui.


Minha vontade real é a de o colocar no colo, rir meu riso e impedir seu pranto; mas sei que a dor é de cada um e o tempo de cada coisa é o tempo delas, não meu. Sendo assim, faço a minha parte, de o colocar no colo e dividir seu pranto. E entre falhas, tropeços e acertos, sigo atenta de tudo ao nosso amor, meu pai, meu grande amigo e que hoje, mais do que nunca, meu filho. 

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