quarta-feira, 28 de junho de 2017

Salmo |Maria Betânia|

Vida
Oh bela, oh terna, oh santa
Vida
É breve, é grande, é tanta
Vida
Ai, de quem não te canta
Oh vida


Diante da vida delirante
Ai, de quem, vacilante
Repousa e não ousa viver
Deve passar toda existência
Entre o medo e a ansiedade
Não quero ter calmaria
Eu quero ser tempestade
Eu quero ser ventania
Eu quero andar pela cidade
Me embriagando de poesia
Bebendo a claridade
Da luz do dia


Diante da vida comovente
Ai de quem, tão somente
Reclama e não ama viver
Deve ter feito dentro d’alma
Um vasto mar de amargura
Não quero ter agonia
Eu quero sim, a locura
O fogo da fantasia
Um precipício de aventura
A vida vindo como orgia
No ofício da procura
De todo dia


Diante do espelho dos seus olhos
Ai, de quem não se vê
Não vê seu destino
Eu quero ver meu desatino
Frente a frente e poder dizer:
"Você é quem sempre me dá prazer
Entre você e a calma eu quero ser você, ai"


Diante do abismo do mistério
Ai, de quem se esconder
Não vai saber
Eu quero o salto pra vertigem
De mim mesmo e poder dizer:
"Eu era o caos e o caos eu quero
Eu quero o nada, o germe, eu quero a origem de tanto querer, ai"


Diante da vida que é sublime
Ai, de quem se reprime
Se ausenta e nem tenta viver
Deve ficar olhando o mundo
E lamentando sozinho
Não quero ter letargia
Eu quero ser rodamoinho
Eu quero ser travessia
Eu quero abrir o meu caminho
Ser minha própria estrela-guia
Virar um passarinho
Cantando a vida assim
Cantando além de mim
E além de além do fim




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Last Nite e os sinais de que o universo conspira

Sabe que cara é essa?

A cara do quilômetro final, consesuado como o mais difícil.

Quando o universo te levou à conclusão de que tudo pode até ter conspirado pra dar errado nos meses que antecederam a prova que marcaria a tua vida, mas na hora certa tu serias extremamente recompensada por ter tornado todas as dificuldades em motivos.

Na caixa de som da organização da Maratona, tocou "Last Nite" do The Strokes. Rock que, quando eu corria com fone de ouvido (depois que passei a ser treinada pelo Manoel isso mudou), sempre me impulsionava, ajudava a levar, a organizar os pensamentos quando desorganizados. Uma das mais queridas da play list de corrida.

Pensem numa euforia que senti quando olhei a linha de chegada e essa música começou a tocar.

Abaixei o rosto, me benzi. Ajeitei meu cabelo e o cinto de suporte. Agradeci a natureza por responder sempre com sinais sempre que preciso de um norte. Chorei e fui na melhor mistura de sentimentos possíveis.

Last Nite já tinha vários significados pra mim, não tinha momento melhor na vida e na corrida pra ela tocar.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Dos 120kg aos 21km, rumo aos 42km

Dia 28/05/2016 efetivei minha inscrição na Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro.

Decisão que dava norte ao meu plano de reeducação física e alimentar após quase 1 ano de cirurgia bariátrica.

Hoje entendo que muito mais que isso, reeducação de vida, pois é isso que a corrida faz. Muda teu jeito de ser, de pensar, de agir. Te torna mais forte e mais humano. Te educa a ser solidário em prática, a ser grato a qualquer sinal de natureza, de vida.

Quando a cirurgia bariátrica passa a ser a sua última chance de resgatar sua vida, a maioria das pessoas são descrentes e te ajudam a adoecer um pouco mais, falando todas as ignorâncias pelo senso comum de descrédito da bariátrica.

Aos 23 anos tinha tido câncer na tireóide. Aos 28 anos comecei a ser ameaçada com sinais de um novo câncer, que precisava ser cessado principalmente com o emagrecimento. Diabetes abrindo a porta e querendo deixar sua mala. É uma série de sinais da síndrome metabólica decorrente da obesidade mórbida.

A cirurgia bariátrica salvou a minha vida. E a corrida me dá a chance de sentir e ressignificar o que é vida. Só quem corre conseguirá entender a intensidade dessa última frase.

Trilhar as condições necessárias pra correr a Meia Maratona requereu muito esforço, sacrifícios e disciplina, e tirando os treinos Gladiadores do meu treinador, digo que não foi um processo dolorido. Pelo contrário, foi prazeroso. Talvez especialmente pela trajetória de luta contra a obesidade desde meus 11 anos.

E se tem uma coisa que a vida me ensinou é que ela é mesmo uma sequência de escolhas, e que cada uma delas terá sua consequência. O resultado de hoje, é fruto de escolhas passadas. Muito do que viverei daqui a um ano, será consequência do que faço hoje.

A cada meta atingida na corrida, mais eu fixo à obesidade que tenho domínio sobre ela, não mais o contrário. Pra quem não sabe, mesmo pesando 65kg, ainda sou obesa, a diferença é que agora ela está controlada.

Muita gente me pergunta tanto sobre a bariátrica, quanto pela corrida enquanto estilo de vida. 

Do fundo do coração, se quiseres iniciar um desses projetos, resumo com o conselho de não teres medo. E, como dizem por aí, se tiver medo, vai com medo mesmo. 

É preciso ficar atento aos sinais que a vida dá. Podemos renascer na própria vida quantas vezes quisermos. 

Tem uma frase consensual entre os corredores que diz "se estiveres desacreditado da humanidade, assista a uma Maratona". Então se correr não for sua meta, recomendo o assistir uma Maratona como remédio pra curar até as feridas da vida, da alma.


Atualização de meta: correr uma Maratona em 2018.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Meu choro na largada, dia favorável à minha loucura


Mistura de alegria por ter chegado o grande dia, e segurança por ter feito tudo o que eu podia fazer no preparo, me sentia pronta pra começar e ansiosa pelas variações que toda prova pode trazer.

O dia estava favorável à minha loucura. Cada dia é um dia, cada prova é uma prova. E corrida é estratégia pura. Depois do 5km fiz meu balanço e vi que podia diminuir a meta pessoal (secreta) de 2h30, que pra 1a Meia já era um tempo ousada e boa.

Quando olhei a subida de quase 2km na av Niemeyer, só pensava "eu treinei pra isso, o treino do Manoel era muito pior, não esquece Lorena, tu tá pronta". Era uma dívida comigo. Pra chegar aqui precisei abdicar de muita coisa, resistir a não compreensão de muita gente. Assim como ganhei uma família linda na corrida, gente que a cada dia me tornam uma pessoa melhor e um pouco mais atleta.

Não caminhei em nenhuma parte, fui no meu ritmo, construindo minha corrida. Vivendo meu sonho em meio a centenas de cenas emocionantes ao redor. Estava numa bolha de energia de pessoas e de natureza.

Pace médio de 6'49", tempo líquido de 2h23. Meu coração explodiu de alegria, pois ali a corrida mais uma vez me mostrava que eu posso muito mais do que imagino poder. Passei dos limites que imaginava ter!

Ontem cumpri uma meta pessoal. Reaprendi muita coisa. Eliminei sentimentos ruins. Vi que minha superação é pequenina se comparada a tantas outras.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Tá tendo nervosismo pré Meia Maratona do Rio!


Faltam 10 dias. Era pra eu tá calma, relaxada, segura...foi um ano de dedicação, sem interrupções até a chegada de maio.

Como tô?

Nervosa, cansada, esgotada mentalmente. Maio foi um mês atípico, com uma jornada de trabalho exaustiva e um monte de problemas familiares e pessoais. 3 semanas sem treino de reforço muscular, consequência: joelho bichado. 
Pé, unhas, cabelo? Padrão de atleta. 
Nos meus planos era pra eu tá só pensando na mala e fechando o resto do roteiro das minhas tão esperadas mini-férias. Tá tudo corrido e atropelado, focando o máximo que posso no corpo e equilíbrio dele com a cabeça... o que salva é a segurança da certeza que vou realizar esse sonho e cumprir a meta final da planilha!!! Quando o corpo cansar, a mente vai levar; quando a mente cansar, o coração vai resgatar!

E os anjos vão me conduzir!!!




domingo, 4 de junho de 2017

Da Linda-linda do vovô, gratidão.

Que direito eu tenho de brigar com Deus ou com o universo pelas coisas que acontecem sem ser da maneira que quero, ou mais fácil, ou mais confortável?!

Nenhum direito.

Hoje, 89 anos do seu Babá, meu querido vozinho. Em seu 11o. dia no CTI com cedativos, respiração mecânica e outras coisitas mais.

Eu poderia chorar um choro triste por não enxergar o reestabelecimento da saúde dele da forma mais confortável pra nós, familiares. Desculpa falar assim família, vocês sabem que tô bem longe de ser uma pessoa de pouca fé; mas falo que hoje a única coisa que meu coração permite é agradecer ao Papai e Mamãe do Céu por terem me permitido ser neta dessa homem incrível, o qual tanto me ensinou.

Que belos 89 anos de ensinamentos ele, independente de qualquer coisa, já deixou pra nós! Quanto amor eu recebi desse homem. E nunca deixará de reverberar em minha vida!

Obrigada, vozinho. Torço pra que a felicidade volte a pulsar em seu corpo e alma. Vê-lo da maneira que está parte meu coração, mas entendo que é necessário o senhor, e nós, passarmos por isso. O senhor está bem protegido, tenho certeza!

Mas não deixo a tristeza abater, daqui lhe envio luz, amor e bençãos!

A medalha de hoje é sua, que sempre acreditou em mim!

Gratidão ❤.

Ass.: Linda-linda do vovô.

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Segue a vida da maneira que ela quer.
Que doa o que tiver que doer, mas que não se cesse a chama de acreditar que dias melhores sempre virão.

Só rogo por serenidade pra passear pelos períodos turbulentos. Que nunca me faltem as pernas e coragem pra encarar o asfalto e vento na cara, melhor terapia não há!