sábado, 23 de abril de 2016

Em um ano, a decisão e o êxito.

Escolha correta. Foi isso que milésimos de segundos antes de apagar as velas de meu aniversário do ano passado, pedi com muita força. Foi uma noite especialmente pensada para isso: juntar meus pares, minha família e amigos mais próximos para que eu recebesse deles a energia que precisava para decidir os próximos passos, pois a vida mostrava que era a hora.

No dia seguinte ao festejo, uma tarde de introspecção e então a decisão mais difícil e mais sábia dos então, 29 anos. Tinha cansado de não conseguir. Cansado de tentar, me frustrar e me aceitar. Na verdade, eu sabia que não era mais questão de estar com sobrepeso e feliz, mas questão de saúde. Ou eu mudava ou a obesidade iniciava ali a cobrar sua hipoteca.

E liberdade é um dos substantivos que mais estimo. Com a lucidez do momento, enxerguei que começar a ter complicações clássicas da obesidade e da genética da minha família, significaria começar a ter minha liberdade cessada. E viver uma vida meia boca nunca foi meu projeto de vida, não combinava com nenhum de meus sonhos. Envelhecer de forma saudável era tudo o que eu queria, e era nos 30 anos que eu imaginava começar a envelhecer. Lá com meus botões naquela tarde de domingo pensei que se fosse para iniciar o envelhecimento bem, era preciso ali fazer o básico, iniciar.

Iniciei o Projeto Trintão. Planejamento pessoal. Pré-operatório. Medo. Coragem. Fé, muita fé. Estresses e mais estresses. E a confiança que tudo iria dar certo. Fazer a cirurgia bariátrica era um grande risco, mas viver (se é que se pode dizer viver) com complicações da obesidade também era um grande risco. Pessoas para dizer que não daria certo não faltou, mas eu resistia a cada um com o pensamento de pena. Sim, pena. Vi que, no geral, as pessoas medem a capacidade dos outros através de suas medidas individuais. Comigo eu carregava o sentimento que se eu estava tomando a decisão, era porque com ela eu tinha uma nova chance, mais uma nova chance que a vida me dava de recomeçar, de renascer na própria vida. E fazer tudo dar certo ou não, cabia apenas a mim.

Neste intervalo de um ano. Eu diria que ano lindo!

Cheio de acontecimentos relacionados à mudança. Fui de coração aberto ao novo, cheia de entusiasmo. Cada nova primeira vez foi comemorada com muito afinco. E o processo de reabilitação foi bem menos difícil do que tudo que imaginei.

Claro que pra tudo isso foi preciso o apoio de muita gente, sozinha eu não conseguiria. Hoje faço questão de compartilhar com vocês a introdução deste capítulo de minha vida. Não só por exibimento (vocês não achavam que iria emagrecer 50kg de forma saudável e não ficar ainda mais exibida do que já era né?!), compartilho porque o pouco que já escrevi sobre isso, tocou em muita gente, e poder ajudar de alguma forma é muito para uma eterna obesa. Sim gente, obesidade não tem cura, tem controle. Sinto-me muito mais viva, relaciono este sentimento tanto ao fato da eliminação de 50kg, quanto por todo o caminho percorrido. Por toda a fortaleza em transformar cada disciplina em um hábito novo.

Hoje agradeço pelo 1 ano que passou da decisão por mudanças até a chegada do meu Trintão. 10 meses de operada e a sensação que é só o começo. Como é bom ter várias chances de recomeçar. Se permitir é um dos atos mais nobres de coragem.


Obrigada vida!

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