Escolha correta. Foi isso que milésimos de segundos antes de
apagar as velas de meu aniversário do ano passado, pedi com muita força. Foi
uma noite especialmente pensada para isso: juntar meus pares, minha família e
amigos mais próximos para que eu recebesse deles a energia que precisava para
decidir os próximos passos, pois a vida mostrava que era a hora.
No dia seguinte ao festejo, uma tarde de introspecção e então
a decisão mais difícil e mais sábia dos então, 29 anos. Tinha cansado de não
conseguir. Cansado de tentar, me frustrar e me aceitar. Na verdade, eu sabia
que não era mais questão de estar com sobrepeso e feliz, mas questão de saúde.
Ou eu mudava ou a obesidade iniciava ali a cobrar sua hipoteca.
E liberdade é um dos substantivos que mais estimo. Com a lucidez
do momento, enxerguei que começar a ter complicações clássicas da obesidade e
da genética da minha família, significaria começar a ter minha liberdade
cessada. E viver uma vida meia boca nunca foi meu projeto de vida, não
combinava com nenhum de meus sonhos. Envelhecer de forma saudável era tudo o
que eu queria, e era nos 30 anos que eu imaginava começar a envelhecer. Lá com
meus botões naquela tarde de domingo pensei que se fosse para iniciar o
envelhecimento bem, era preciso ali fazer o básico, iniciar.
Iniciei o Projeto Trintão. Planejamento pessoal. Pré-operatório.
Medo. Coragem. Fé, muita fé. Estresses e mais estresses. E a confiança que tudo
iria dar certo. Fazer a cirurgia bariátrica era um grande risco, mas viver (se
é que se pode dizer viver) com complicações da obesidade também era um grande
risco. Pessoas para dizer que não daria certo não faltou, mas eu resistia a
cada um com o pensamento de pena. Sim, pena. Vi que, no geral, as pessoas medem
a capacidade dos outros através de suas medidas individuais. Comigo eu
carregava o sentimento que se eu estava tomando a decisão, era porque com ela
eu tinha uma nova chance, mais uma nova chance que a vida me dava de recomeçar,
de renascer na própria vida. E fazer tudo dar certo ou não, cabia apenas a mim.
Neste intervalo de um ano. Eu diria que ano lindo!
Cheio de acontecimentos relacionados à mudança. Fui de
coração aberto ao novo, cheia de entusiasmo. Cada nova primeira vez foi
comemorada com muito afinco. E o processo de reabilitação foi bem menos difícil
do que tudo que imaginei.
Claro que pra tudo isso foi preciso o apoio de muita gente,
sozinha eu não conseguiria. Hoje faço questão de compartilhar com vocês a
introdução deste capítulo de minha vida. Não só por exibimento (vocês não
achavam que iria emagrecer 50kg de forma saudável e não ficar ainda mais
exibida do que já era né?!), compartilho porque o pouco que já escrevi sobre
isso, tocou em muita gente, e poder ajudar de alguma forma é muito para uma eterna
obesa. Sim gente, obesidade não tem cura, tem controle. Sinto-me muito mais
viva, relaciono este sentimento tanto ao fato da eliminação de 50kg, quanto por
todo o caminho percorrido. Por toda a fortaleza em transformar cada disciplina
em um hábito novo.
Hoje agradeço pelo 1 ano que passou da decisão por mudanças
até a chegada do meu Trintão. 10 meses de operada e a sensação que é só o
começo. Como é bom ter várias chances de recomeçar. Se permitir é um dos atos
mais nobres de coragem.
Obrigada vida!
