sábado, 31 de dezembro de 2016

Tudo posso naqueles que me fortalecem


Compartilho com vocês minha gratidão a São Bento, meu santo protetor. Especialmente pela graça impossível de descrever aqui, mas que com intenção compartilhada com ele em janeiro de 2015, e já plenamente alcançada. 

Todas as vezes que fraquejei, a ele recorri. Quando tive pouca fé, foi ele quem soprou em meu ouvido 'te levanta'. Quando precisei de curas, ele trouxe o fogo do Espírito Santo. Quando me sinto perdida, é a cruz dele que irradia luz em meus olhos. É São Bento que protege meus passos, pois anda em minha frente com seu cajado quebrando o que há de mau no caminho. 

São Bento torna-me forte e capaz de tudo!


terça-feira, 8 de novembro de 2016

No rumo que a vida quer


Não é fácil.
Na verdade, nunca foi fácil.
E, provavelmente, nunca será.

Não há problema.
Foi sempre dentro de mim,
Que encontrei todo o sentido de viver.
_____

A gente segue o rumo que a vida quer,
No ritmo que a vida quer.

A gente pára.
Respira.
Sacode a poeira.
Dá a volta por cima.

Respira fundo mais uma vez,
E segue no rumo da vida.

Vida que segue

(Lorena Abrahão)

domingo, 23 de outubro de 2016

Das comorbidades dos 120kg aos imensuráveis 10km em 1h14.

Corrida do Círio - outubro 2016
Sempre admirei as pessoas que corriam, e nas corridas oficias, achava que eram competições entre atletas. Quando saí da minha zona de conforto e iniciei meus treinos, descobri que se tratava de uma competição individual. Que pra completar uma corrida, é preciso meses de competição individual pra cumprir toda a planilha de treino, ter uma vida saudável e uma disciplina que para muitos é considerada neura.


Alguns disseram que a cirurgia bariátrica seria uma péssima escolha, que eu não seria saudável e que logo iria recuperar todos os quilos perdidos. De outros eu tive todo o apoio que eu precisava, meu cirurgião, Dr Acácio Centeno; minha nutri, Nayane Karen; meu treinador, Bruno Freitas; minha endócrina, dra Danielle Oliveira; e minha psicóloga, Sonia Gaby - só tenho a agradecer a esses profissionais que me acompanham e confiam nas metas que traço.

Verdade que meu tempo poderia ter sido melhor, mas tive um obstáculo essa semana que gerou uma crise de alergia respiratória. Poderia ter ficado em casa e a usado como desculpa, mas resolvi usá-la como mais um motivo de superação.

Vocês não tem ideia do que este dia significa pra mim!


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Insônia

Perdemos o sono porque estamos vivos.
Vivos e cheios de vida.
Cheios de pensamentos entorpecedores.

É preciso estar acordado para sonhar o sonho exatamente como queremos.
O que eu quero?
A paz. A ternura. E o amor de amar e ser amada.

Quero rimas pobres e poesias ricas de vida.

(Lorena Abrahão)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Pernas fracas, cabeça forte

CE -
Julho 2015
Já havia falado por aqui da força desta mulher.

A imagem não me surpreendeu em nada, porém, transbordou de alegria e orgulho o meu coração.

Quem conhece a Dona Raimunda Vogado, sabe bem de seu prazer de estar nas águas de um mar ou de um igarapé. E quem ousou dizer que a cadeira de rodas iria lhe impedir de mais uma vez viver essa felicidade, errou e errou feio.

É verdade que há uns poucos meses, ela nem força tinha para levantar sozinha da cama para a cadeira de rodas – pouco se movia, só que, nesta jornada cheia de sofrimento, onde pernas e joelhos fraquejavam, vó Raimunda nunca desanimou. Lembro de uma vez que ela dava singelos socos nos joelhos e dizia “Minha filha, esses joelhos um dia vão funcionar de novo!”. 

Ah minha avó, a senhora é linda demais, que bravura!

Parabéns por toda a coragem que lhe pertence, isso inspira muito nós sua família e tantos outros. O mar é todo seu!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Você (não) precisa parar de emagrecer

junho 2016

Há muito tempo luto, individual e coletivamente, contra as imposições da sociedade, especialmente ao que se refere sobre os corpos e costumes das mulheres.

Fiz a cirurgia bariátrica por uma questão de recomendação médica e conscientização sobre minha saúde.

Emagreci pra caraio e por n's motivos to feliz pra caramba, e com todo carinho, sem ironia mesmo, eu lhes digo que não há nada mais inconveniente do que dizerem que to ficando muito magra, que devo engordar mais um pouco ou parar de emagrecer (sim, pasmem, há gente pra tudo nessa vida).

Primeiro, não tô aqui pra satisfazer o padrão que vocês querem. Se quiserem, façam isso com seus corpos.

Segundo, tenho acompanhamento permanente com equipe multiprofissional, a quem confiei meu tratamento de obesidade e fielmente sigo as recomendações. Estes profissionais, meus exames e meu dia-a-dia só mostram que minha saúde está em sua melhor fase.

Ao que parece, o problema tá só em alguns olhos de quem veem.

Não to aqui pra satisfazer nenhum padrão.

Obrigada. De nada.

sábado, 23 de abril de 2016

Em um ano, a decisão e o êxito.

Escolha correta. Foi isso que milésimos de segundos antes de apagar as velas de meu aniversário do ano passado, pedi com muita força. Foi uma noite especialmente pensada para isso: juntar meus pares, minha família e amigos mais próximos para que eu recebesse deles a energia que precisava para decidir os próximos passos, pois a vida mostrava que era a hora.

No dia seguinte ao festejo, uma tarde de introspecção e então a decisão mais difícil e mais sábia dos então, 29 anos. Tinha cansado de não conseguir. Cansado de tentar, me frustrar e me aceitar. Na verdade, eu sabia que não era mais questão de estar com sobrepeso e feliz, mas questão de saúde. Ou eu mudava ou a obesidade iniciava ali a cobrar sua hipoteca.

E liberdade é um dos substantivos que mais estimo. Com a lucidez do momento, enxerguei que começar a ter complicações clássicas da obesidade e da genética da minha família, significaria começar a ter minha liberdade cessada. E viver uma vida meia boca nunca foi meu projeto de vida, não combinava com nenhum de meus sonhos. Envelhecer de forma saudável era tudo o que eu queria, e era nos 30 anos que eu imaginava começar a envelhecer. Lá com meus botões naquela tarde de domingo pensei que se fosse para iniciar o envelhecimento bem, era preciso ali fazer o básico, iniciar.

Iniciei o Projeto Trintão. Planejamento pessoal. Pré-operatório. Medo. Coragem. Fé, muita fé. Estresses e mais estresses. E a confiança que tudo iria dar certo. Fazer a cirurgia bariátrica era um grande risco, mas viver (se é que se pode dizer viver) com complicações da obesidade também era um grande risco. Pessoas para dizer que não daria certo não faltou, mas eu resistia a cada um com o pensamento de pena. Sim, pena. Vi que, no geral, as pessoas medem a capacidade dos outros através de suas medidas individuais. Comigo eu carregava o sentimento que se eu estava tomando a decisão, era porque com ela eu tinha uma nova chance, mais uma nova chance que a vida me dava de recomeçar, de renascer na própria vida. E fazer tudo dar certo ou não, cabia apenas a mim.

Neste intervalo de um ano. Eu diria que ano lindo!

Cheio de acontecimentos relacionados à mudança. Fui de coração aberto ao novo, cheia de entusiasmo. Cada nova primeira vez foi comemorada com muito afinco. E o processo de reabilitação foi bem menos difícil do que tudo que imaginei.

Claro que pra tudo isso foi preciso o apoio de muita gente, sozinha eu não conseguiria. Hoje faço questão de compartilhar com vocês a introdução deste capítulo de minha vida. Não só por exibimento (vocês não achavam que iria emagrecer 50kg de forma saudável e não ficar ainda mais exibida do que já era né?!), compartilho porque o pouco que já escrevi sobre isso, tocou em muita gente, e poder ajudar de alguma forma é muito para uma eterna obesa. Sim gente, obesidade não tem cura, tem controle. Sinto-me muito mais viva, relaciono este sentimento tanto ao fato da eliminação de 50kg, quanto por todo o caminho percorrido. Por toda a fortaleza em transformar cada disciplina em um hábito novo.

Hoje agradeço pelo 1 ano que passou da decisão por mudanças até a chegada do meu Trintão. 10 meses de operada e a sensação que é só o começo. Como é bom ter várias chances de recomeçar. Se permitir é um dos atos mais nobres de coragem.


Obrigada vida!

sábado, 2 de abril de 2016

Poemar

Não sofro de amor
Faço arte
Poesia
arte.

Do sofrer por amar
chega a arte de se inspirar
Pintar
Poemar

Saída pela tangente
Sofrer por amor
Só pode ser o oposto
da arte de amar

(Lorena Abrahão)

domingo, 20 de março de 2016

Minha 1ª corrida de rua, 5km.

Corrida das Mulheres - março 2016

Não sei pra vocês o que significa correr 5km ininterruptamente, a mim significa superação e determinação. Quem conhece minha história, sabe por muito do que já passei. Câncer aos 22 anos, obesidade mórbida, dentre outras coisas. A mudança que fiz há 8 meses foi a melhor decisão da minha vida. Pode sim a vida me aprontar muitas surpresas, mas to fazendo a minha parte pra estar ainda mais pronta pra superar cada uma com todo o otimismo que sempre foi meu. 


Obrigada família, amigos queridos e profissionais que acompanham meu dia-a-dia de resultado. Hoje em especial aos meus amigos da Ritual por todo o incentivo diário e pra esse dia.

8 meses. Menos 48kg. Qualidade de vida incalculável. Hoje 5km em 34min. O começo, só o começo.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Vó Josefa

Pele de veludo, com toque de seda

Voz forte, calibrada com doce rouquidão

A força de uma mulher admirável

Simplesmente por ter existido

Lembro do seu sorriso e seus conselhos

Palavras que nunca esquecerei

Nem mesmo do afeto que me doava

Minha avó Josefa Alice estará sempre em meu caminho

Jorrando luz e saudade por onde quer que eu vá

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sentimento

Por Lorena Abrahão

Sentimento é aquilo que vai além do meramente sentir. É aquilo que estremece a alma, que faz o sangue pulsar forte. Que aperta o peito. Que cala as palavras. Que aquece e que esfria. Que liberta e que sufoca.

Isso é sentimento intenso. É sentimento de quem é forte. De quem se permitiu viver, mesmo que por muito se tenha buscado viver sem sentir.

De que é isso que a gente fala, que a gente chama de amor e de amar. De que é isso que a gente não toca, mas a gente sente. De que é isso que entra sem pedir licença, até anuncia, mas se quer pede permissão se pode entrar e assolar.

É o amor ou é a paixão. Ou é o amor e a paixão a caminharem e saltitarem juntas em compassos dentro do peito. É bom ou ruim.

Faz lembrar as sinfonias de Bach que aceleram, assuleram e acalmam. Traz na maior parte do tempo paz, mas bastam dez segundos e a alma se agita. Ainda é muito novo, mas já mostra sua força. Aonde chegaremos, não sei, mas quero ir junto.


Não, não quero...Mas já não cabe escolha, já fui e não aparece nenhum mecanismo de desligamento, não existe. Quero a alma mansa, quero a paz de viver o amor puro e leve que um dia pedi. Quero continuar a olhar nos olhos do meu menino e ver que sou o amor que ele sempre esperou. Quero continuar a sentir nossa pulsação no mesmo ritmo. Sentir nossas carências preencherem os nossos vazios. Tocar no seu corpo com as mãos e em sua alma com um beijo. Correr o risco de se estrepar em um coração alado, mas sem crer que ser esse risco o mais provável. É crer que é o amor nascendo, tendo como alimento pequenas porções de paixão, e é aqui que há perigo. Paixão pode enlouquecer. Não importa, não importa. Não é porta para fechar. Já era hora de chegar. Sentimento.