domingo, 27 de agosto de 2017

Registro de solidariedade entre atletas e soma de energias

Cada uma superando os limites que o dia colocou.

Voar vôo razo tem seu valor. 
Foi desafiador ter como objetivo correr 11km no meu maior tempo, 1h27. E se não fosse assim, provavelmente não concluiria a prova e adiaria a recuperação total do corpo.

Foi inteligente o compartilhar a energia de outra forma, especialmente, ajudando uma amiga a completar seus primeiros ininterruptos 11km.

Quando corremos, exercitamos extremamente a concentração, isso faz com quê nas provas você passe por pessoas sem olhar para elas, não consegue falar nada, concentra apenas na pisada e no movimento que te levará a mais uma linha de chegada.

Mas correr é também energia. E foi quando lesionada tive a chance de vivenciar este lado desse esporte que a cada dia salva a minha vida. Vento na cara. A sinfonia das pisadas de tênis sobre o asfalto. Diga-se de passagem que este é um dos sons que mais sacodem meu coração. Calma Keka, não acelera, curte a corrida. Uma corredora com tênis desamarrado, corre até ela, alerta que é melhor amarrar o cardaço. Um corredor sendo vencido pelo cansaço e você vai lá e pede pra ele ser um pouco mais forte e continuar correndo. Passa por um túnel de mangueiras (árvore regional), sente um ar mais puro. Sente dor nas costas, mas lembra que está alí testando o corpo, que não precisa ter medo de pisar. A amiga começa a cansar, você pede pra ela respirar e continuar, pois sabe o quão preparado está o corpo dela e que para a cabeça, ela não iria ser vencida. A outra amiga lembrava que era pra eu curtir a prova e segurar a prova e isso foi essencial.

Na parte mais difícil da prova, quilômetro 8, uma banda de marchinhas carnavalescas ecoava o alaláôôô e veio o incontrolável choro. Levantei as mãos aos céus e disse "eu te amo vô". Corredor de gente assistindo a corrida, gritando, incentivando os corredores do último batalhão. Eu recomendava que a amiga sentisse a energia das pessoas que aquilo iria dar as condições dela continuar a prova sem caminhar. No momento mais difícil dela, tentei colocar minha mão em seu braço pra transferir um pouco de energia. Assustada, pediu para não puxá-la. Pedi calma, que era só um pouco de energia daquelas pessoas que eu iria passar. Transcrevo a mensagem que recebi sobre esse fato: Verdade Ana!Hoje senti muito isso é impressionante e indescritível! Teve uma hora que  estava para desistir por puras questões psicológicas e as meninas me impulsionando, porém a Keka [eu]colocou a mão em mim para me passar sua energia e nesse momento realmente sentir um gás que não ERA meu .Só de lembrar estou toda arrepiada !pq contando é até difícil de acreditar mas vivi isso hoje!Muito lindo! Toda minha admiração e gratidão

Andreia e Patrícia (superação) compartilharam comigo uma das corridas que mais marcaram na minha vida. Onde se comprova que a soma das energias dos indivíduos são canalizadas na força que nós quisermos, neste caso, força de amor em forma de parceria e superação!

Pra mim, foi uma medalha de 11k, mas com gosto de 21k.







11km com pace alto para ajudar na recuperação da segurança sobre o corpo, após 20 dias de lesão na coluna.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Entrevista sobre Cirurgia Bariátrica e mudança no estilo de vida


Entrevista à TV Cultura
Data: 15/09/2017



A obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde como a maior epidemia do planeta. A má alimentação e a vida sedentária são alguns dos motivos para o aumento da doença. A cirurgia bariátrica é indicada em casos graves, mas pode ser evitada com uma vida saudável e com a prática de atividades físicas.

domingo, 13 de agosto de 2017

Obrigada por tudo, meu pai. Meu grande amor!

Hoje é "o meu criança". Teimoso, dramático e completamente dependente da minha presença.

Hoje é ele quem espera eu chegar do trabalho pra conversar mesmo que rápido, pra falar as novidades do Joãozinho ou, agora, as novidades da sala de hemodiálise - do atendimento, dos novos coleguinhas, do que sentiu.
Um dia desses cheguei tarde do trabalho, ele já estava recolhido no quarto, imaginei que dormindo. De tão cansada que estava, não fui olhar na janela como de costume (acho que ele sabe quando olho). Daí na manhã seguinte peguei uma bronca pesada de drama, que depois virou comédia no caminho do trabalho. Ele reclamou por eu não ter ido ver como estava, se tava bem, se não tinha passado mal e tals.

Ah Jhony, em muitos momentos é pesado estar no papel de tua "mãe", te dizer tudo o que tens que fazer, te dar broncas e mais broncas (algumas tu gostas, eu sei), te ensinar a como lhe dar com as coisas nessa fase da vida, às vezes te dar uma única opção e te fazer entender porquê tem que ser assim...mas isso me traz tanta felicidade também.

Parece a chance que a vida me deu de dizer muito obrigada por tudo o que fizeste por mim, por todo o amor que me ensinaste a ser, por ensinar a ser essa mulher forte e humana que sou. Por toda a presença que foste e és.

Sei que não poderei impedir tuas dores e essas complicações da saúde que, prazerosa e teimosamente, não te deixaste cuidar por muito tempo; mas no que depender de mim pra te dar o máximo de conforto nessa fase de nossas vidas, eu farei e continuarei tentando sempre ser melhor, mesmo que também errando muitas vezes.

Obrigada por tudo, meu pai.
Meu grande amor!

Foto: pós almoço de hoje, contando histórias e fazendo compressa de água quente na fístula. Tem que fazer todo dia, só faz quando eu lembro. (Rsrs)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Velho Babá, presente, presente, presente!

Hoje completa um mês que o vovô faleceu.


Aqui duas fotos clássicas!

Foto 1, várias traduções: tudo o que foram a vida inteira, parceiros!



Ela, a fortaleza que, mesmo cadeirante e cheia de dores, estava (e está) lá, não se entregando, organizando a sua casa e fazendo o que conseguia fazer com as liberdades que suas limitações físicas permitem.


Ele, já entregue ao peso da idade e dos adoecimentos, mas sempre ao lado dela. Provavelmente a fazer alguma piada, contanto um causo ou indo buscar água ou a batida de frutas pra ela, sua velha.


Ele e Ela, a mais bonita expressão de amor a dois que eu e todos que conviveram com esses dois, já testemunhamos. E que me orgulho em dizer que sou fruto.

Foto 2: meu colo preferido, era tomar café na casa deles no final da tarde. Inúmeras vezes fiz isso, em todas saí com a melhor sensação de acolhimento. Vez ou outra passava antes na padaria pra levar doces e salgados que eles gostavam. 



- Uhhh, cheguei vôzinho, trouxe umas besteiras pra gente beliscar. Olhe, tem canudinho de camarão.
- Não precisava, minha filha, mas vou comer só um, pode fazer mal.
Passavam-se uns minutos. Pratinho vazio. Em meio a uma hipertensa regrada e três alérgicas ao camarão.
- Ué vô, quem comeu os canudinhos?!
- Olhávamos uns pra cara dos outros e ríamos deliciosamente.


Hoje: particularmente em um dia de filha muito difícil. Não direi como, mas foi ele quem cuidou de mim.


Publicamente agradeço a Deus, à vida, ao cosmo, ao "sim" da minha vózinha, a tudo que conspirou para que eu pudesse ser neta, a neta Linda-linda, desse senhor, desse casal.


Velho Babá, presente, presente, presente!