quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PROBLEMA REVERSO, O BAIXO CONSUMO CALÓRICO

E quem diria um dia entrar no consultório da nutricionista e escutar que tenho que comer mais. É mesmo verdade, o impossível pode acontecer!

Na prazerosa consulta, lembramos que minha luta contra o peso vem desde os 11 anos. E hoje, ao voltar da academia antes das 7h da manhã, pensei ser esta a fase que me sinto mais segura em relação ao controle do meu peso. Já que, minha obesidade é crônica e monitorá-la é uma tarefa para a vida inteira.

A bioimpedância realizada neste mês, acusa um gasto energético diário em torno de 1.400kcal. Considerando a minha  intensa prática de atividade física, este gasto deveria ser mais elevado, porém, além do meu metabolismo ser lento por natureza, aliado à reposição diária de hormônio em decorrência da tireoidectomia total (2009), estou ingerindo menos que 1.200kcal/dia. Significa que o valor calórico que meu corpo ingere, está muito próximo ao gasto. Quando por muito tempo assim, por defesa do organismo, entende-se que o estoque energético está ameaçado, então é melhor armazenar energia, ainda mais com essa louca correndo uns 30km/semana. Assim pensa o corpo. Fenômeno cientificamente chamado de Efeito Platô. Daí passaremos para a antes inimaginável fase de aumento de calorias na dieta. E não estou falando de pouco, são mais 1.000kcal praticamente. Ao ler esta parte, peço que deem junto comigo uma gostosa risada pra vida.

Notem a importância da manutenção do acompanhamento multiprofissional posteriormente à bariátrica. Agora focaremos em uma dieta para ganho de massa muscular. Sendo assim, a nutricionista montará um quadro de alimentação paleolítica, ou seja, baseado no alto consumo de proteínas e carboidratos naturais, conciliado à suplementação e à vasta lista de restrição devido às alergias. Isso porque este é o tipo de alimentação que me habituei, tanto pela melhor digestão, quanto pelos benefícios dos alimentos funcionais. Tanto que, mesmo comendo "pouco", estou com as taxas sanguíneas dentro do normal, sem carência, nem excesso de nutrientes.

Não será simples adaptar-me a comer mais, o estômaguinho, forma carinhosa que chamo o neo-estômago de aproximadamente 5cm/150ml, está em sintonia bem afinada com a cabeça; digo com a consciência que o reganho de peso é uma dura realidade em um percentual bastante elevado de operados. Mas, se é recomendação da nutri, seguirei com afinco.

A foto mostra a tentativa de um lanche mais calórico: massa Rap10 Fit, com ricota e creme de milho e frango. Acompanhada de deliciosos goles do meu habitual café sem adição de açúcar ou adoçante, mas isso não é neura, é puro prazer em tomar café mesmo, noutro momento falo sobre isso.


sábado, 21 de janeiro de 2017

MELHOR QUE COMER É VIVER

É culturalmente consensual ter no ato de comer um dos prazeres mais intensos.

Vale refletir também o caráter de socialização comportado neste ato. Basta lembrar em torno do que está as festas de comemorações, os encontros entre amigos, os primeiros encontros dos casais, a válvula de escape do estresse... Corrijam-me se estiver errada, mas tudo, em torno do comer.

Por ser culturalmente consensuado, aliado a constante correria multitarefária do dia-a-dia, pouco se reflete sobre o que, porquê, como, quando e quanto nós comemos. Não, isso não interessa, isso é chato. Encerra-se o assunto logo que vem em mente, mas acredito que todos, em algum momento, são assombrados com esses questionamentos.

Daria pra escrever muito mais sobre os padrões e comportamentos alimentares, acho que vale posteriormente fazer um texto alinhando-o com a lógica do capitalismo. Mas a intenção neste momento é a de compartilhar os benefícios que o processo de reeducação alimentar proporcionou em minha vida.

Após um ano e meio de hábitos novos, digo que melhor que comer, é mesmo viver!
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Antes da cirurgia bariátrica (Bypass), a síndrome metabólica gerada pelo quadro de obesidade mórbida e crônica, deixou praticamente todos os meus índices alarmantes. Hoje tenho plena consciência do quanto eles prejudicavam a minha qualidade de vida e já limitavam meu dia-a-dia, na época enganava-me acreditando que o importante era estar viva e feliz.

Na tabela abaixo, o quadro comparativo com alguns índices. 




Junho 2015
Janeiro 2017
Peso total
120kg
66kg
Peso em massa magra
53%
72%
Peso em gordura corporal
47%
28%
IMC
43,5 kg/m²
24 kg/m²
Glicose
91 mg/dL
79 mg/dL
Teste de Tolerância à Glicose – 3ª análise 120’
214 mg/dL
Fora de risco/ Não necessária a dosagem
Insulina
37,74 mIU/mL
2,7 mIU/mL
Colesterol Total
155 mg/dL
129 mg/dL
Triglicerídeos
100 mg/dL
70 mg/dL

Em primeira análise, as taxas sanguíneas não estavam tão alarmantes, mas e se eu continuasse com o mesmo estilo de vida, qual seria o teor do texto que estaria escrevendo agora? Provavelmente, sobre dicas de como viver com a diabetes. Ta aí, foi esse o meu terror, o diagnóstico inicial dessa doença que vitimiza minha família, portanto conheço a dor do seu começo, meio e fim quando não tratada como deve ser. Diga-se de passagem, tarefa muito difícil.

Não é novidade que todos morreremos um dia, mas ter consciência que seus hábitos estão a facilitar que este dia chegue, seria o quê senão um suicídio a médio e longo prazo?! Compreendi ser a hora de fazer uma curva radical na vida. E fiz da cirurgia bariátrica o freio necessário para não continuar na linha reta que seguia (ou me arrastava). Bombardeio de informações. Vontade, muita vontade de iniciar o processo de envelhecimento de forma saudável. Ter uma vida saudável, que alinhava uma boa alimentação, prática regular de atividade física e até mesmo sair pra dar uma corridinha no domingo de manhã, fazia parte de um tímido e forte sonho ou exemplo de vida a seguir.


Os seis primeiros meses foram de total disciplina, não fáceis, mas também menos difíceis que imaginava. Depois vieram os hábitos, aquilo que já fazemos no automático, tipo preparar sua bolsa térmica diariamente com pelo menos três das suas seis ou sete refeições do dia; comer seu lanche em meio a qualquer reunião; acordar cinco horas da manhã todos os dias pra malhar; dizer não para a maioria dos convites para sair no sábado a noite porque domingo de manhã é dia de treino de rua e seu corpo sente uma tremenda falta se não for; e muitas outras coisas que não garantem uma vida eterna (claro que não é essa a pretensão), mas que garantem maior autoconhecimento e um melhor sentido no que é estar viva e com muita disposição para viver. Com cuidado pleno sobre meu corpo, minha alma e meu equilíbrio! 


Comer as comidas de fácil acesso, aquelas geralmente mais prejudiciais, é gostoso e tesudo; mas não precisamos ter a cada refeição um orgasmo. E mais, dá pra descobrir também ser tesudo, comer algo funcional, aquela comida que não entra no seu organismo só para saciar seu prazer, mas para dar funcionalidade às partes de seu organismo. 

sábado, 14 de janeiro de 2017

Tudo que é nada o nada que é tudo

Busco um tudo nesta vida
Busco um nada
Um nada que é tudo
Um tudo que é nada

De nada adianta ter tudo
E de tudo adianta ter o nada

O tudo não é nada
E o nada é tudo

Nado em tudo que nada tenho
Nado no nada
Nado no tudo
O tudo é seco
O nada é completo

No nado aprendo de tudo
No tudo não aprendo nada

De nada sei que adianta buscar o tudo
Buscando o tudo
Me encontro no nada
Encontro um eu que tudo
E que nada sei

Que nada sei o que é alegria
Que nada sei o que é viver

Mas quando vejo que não sei nada
Vejo que sei tudo

O nada é o tudo
E o tudo é um nada

É um nada sei
Nada sou
Nada busco no tudo

Agora paro e busco o nada
Um nada que não sei
Se é tudo
Ou se é nada

Se nada adianta buscar o tudo
Busco o nada e 
Ei de encontrar um tudo 
no branco de um nada.


(Lorena Abrahão - 2005/2006)





Não corra

por Nilson Paulo de Lima

Se eu pudesse dar um único conselho a você, seria: não corra.
Correr é um ato de loucura. Se você começar, vai perceber que: seu corpo vai doer, suas pernas vão cansar, seus pulmões irão sentir a gana por oxigênio, seus pés serão maltratados e as unhas irão cair.
Não corra. Se você começar a correr, vai perder as baladas de sábado com os amigos. Vai sair de casa no frio, sua pele vai arrepiar e, ainda assim, não terá vontade de voltar para a cama.
Não corra.
Não seja como esses doidos que percorrem ruas, calçadas, parques, e trilhas, respirando ofegantes, com viseiras coloridas, fones nos ouvidos e relógios controladores de tempo e de distância.
Não seja mais uma pessoa que sai por aí correndo sem destino, enquanto passa por carros e ônibus lotados.
Quem, em sã consciência, trocaria o ar-condicionado do carro por uma corrida ao ar livre, com vento no rosto?
Não corra. Correr é um vício perigoso. Você vai falar uma linguagem estranha, seu vocabulário será inundado de palavras como paces, longões, flartec, altimetria, regenerativo, canelite e endorfina.
Seus amigos e familiares não entenderão quando você falar que “quebrou naquela prova”, e ficarão apavorados quando você disser que “deu 12 tiros no treino de ontem”.
Quando você menos perceber, seu roupeiro terá mais shorts, calções e camisetas do que roupas de “pessoas comuns”. As paredes da sua casa não terão mais quadros com lindas paisagens; estes darão lugar a medalhas com fitas coloridas e pedaços de papel com números aleatórios que mais parecerão fórmulas de física quântica.
Corredores são pessoas estranhas, que comem sem medo, bebem sem culpa, que correm dezenas de provas durante um ano, não ganham nenhuma, mas festejam cada uma delas como uma conquista olímpica.
Corredores são loucos, confie em mim.
Não corra.

Correr vai te trazer a sensação de você é capaz de ir sempre mais além. Correr vai fazer você conhecer pessoas loucas que começaram a correr e se tornaram viciados, daqueles que falam com desconhecidos no meio de uma corrida. E, veja só: eles ajudam estranhos, incentivam pessoas que nunca viram antes a continuar correndo.
Estes viciados não deixam os outros largarem do vício.
Não corra. Corredores colecionam medalhas, possuem uma mente e corpo saudável, fazem amigos de infância a cada prova que disputam.
Corredores são pessoas felizes, e isso (aaah…), isso é um grande perigo para a sociedade. Então, acredite em mim: não corra. Não corra o risco de se tornar um viciado incurável ou uma pessoa que possui a felicidade genuína.

Não corra o risco de se tornar alguém melhor a cada dia.