Por Lorena Abrahão
Sentimento é aquilo
que vai além do meramente sentir. É aquilo que estremece a alma, que faz o
sangue pulsar forte. Que aperta o peito. Que cala as palavras. Que aquece e que
esfria. Que liberta e que sufoca.
Isso é sentimento
intenso. É sentimento de quem é forte. De quem se permitiu viver, mesmo que por
muito se tenha buscado viver sem sentir.
De que é isso que a
gente fala, que a gente chama de amor e de amar. De que é isso que a gente não
toca, mas a gente sente. De que é isso que entra sem pedir licença, até
anuncia, mas se quer pede permissão se pode entrar e assolar.
É o amor ou é a
paixão. Ou é o amor e a paixão a caminharem e saltitarem juntas em compassos
dentro do peito. É bom ou ruim.
Faz lembrar as
sinfonias de Bach que aceleram, assuleram e acalmam. Traz na maior parte do
tempo paz, mas bastam dez segundos e a alma se agita. Ainda é muito novo, mas
já mostra sua força. Aonde chegaremos, não sei, mas quero ir junto.
Não, não quero...Mas
já não cabe escolha, já fui e não aparece nenhum mecanismo de desligamento, não
existe. Quero a alma mansa, quero a paz de viver o amor puro e leve que um dia
pedi. Quero continuar a olhar nos olhos do meu menino e ver que sou o amor que
ele sempre esperou. Quero continuar a sentir nossa pulsação no mesmo ritmo.
Sentir nossas carências preencherem os nossos vazios. Tocar no seu corpo com as
mãos e em sua alma com um beijo. Correr o risco de se estrepar em um coração
alado, mas sem crer que ser esse risco o mais provável. É crer que é o amor
nascendo, tendo como alimento pequenas porções de paixão, e é aqui que há
perigo. Paixão pode enlouquecer. Não importa, não importa. Não é porta para
fechar. Já era hora de chegar. Sentimento.